07/02/2004

Sabomem

(...)" e falei-lhe de Sabomem, o homem do horizonte que cheirava a maresia.
Sabomem olhava o mar com o horizonte na memória das inconstâncias e das ondas ganhas pela vida.
Esperava um barco, segundo lhe sussurrava a experiência, certamente vindouro. Longe da areia seca, perto dos seus acostumados ouvidos, o barulhar e franjar das ondas traziam uma frescura que anunciava o anoitecer estrelado.
Infâncio, seu sobrinho-neto que o chamava de avô, clama lá longe pela atenção do sapiente velho.
A pureza incrédula e inocente daquele clamor vira a embarcação venturosa no encalce daquela praia e gritava agora  melodicamente  "Mamãe Ventura chegou!", "Mamãe Ventura chegou!".
Sabomem lança então, sobre o lençol verde de mar, as redes por si amanhadas e tecidas e, com a calma apressada de quem espera uma surpresa, volta costas ao mar para receber a alegria de Infâncio e para juntos poderem abraçar Benvinda, a mamãe que havia chegado."

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