Jovem desce a movimentada Rua Garret. Os sons da cidade confundem o trauseunte e levam-no a ignorar a mendicidade sentada na beira do passeio. O aconchego do sol nas costas que se voltam à pobreza cura as dores do final do dia cansado e adormecente.
Do fulgor de gente colorida pela diversidade, um movimento queda-se em movimento brusco de estaticidade. Um rapaz de boné virado para trás, furo no lado direito do lábio, óculos de sol e ar descontraído pára no meio do agitado passeio. A jovem continua a descer a rua.
-A Berta?
O rapaz de boné virado para trás, furo no lado direito do lábio, óculos de sol e ar descontraído que parara no meio do agitado passeio olhava para o outro lado da rua que o distanciava de uma jovem com uma bicicleta.
A jovem continuou a descer a rua, voltando a ouvir A Berta?
(Será que combinou com a Berta e perguntou à conhecida em bicicleta?)
O rapaz de boné virado para trás, furo no lado direito do lábio, óculos de sol e ar descontraído que parara no meio do agitado passeio olhava para o outro lado da rua que o distanciava de uma jovem em bicicleta (afinal desconhecida) mas olhava afinal noutra direção e já tinha captado a atenção da jovem e dos outros transeuntes. Afinal não chamava a atenção da jovem com a bicicleta.
-Psst! A Bertra? A Bertra?
O rapaz de boné virado para trás, furo no lado direito do lábio, óculos de sol e ar descontraído que parara no meio do agitado passeio olhava para o outro lado da rua que o distanciava de uma jovem em bicicleta mas olhava afinal noutra direção e já tinha captado a atenção do agente da PSP que descansava à sombra, em cima de um aparelho de deslocação móvel moderno.
O último, estupefacto, perguntou com um gesto: “o quê?”
O rapaz de boné virado para trás, furo no lado direito do lábio, óculos de sol e ar descontraído que parara no meio do agitado passeio olhava para o outro lado da rua que o distanciava de uma jovem em bicicleta mas que afinal já tinha captado a atenção do agente da PSP que descansava à sombra, em cima de um aparelho de deslocação móvel moderno, voltou a perguntar, num tom mais impaciente (quase se ouviu “oh pá!” ):
A Bertra?
O agente da PSP que descansava à sombra, em cima de um aparelho de deslocação móvel moderno, juntamente com os trauseuntes, ficou em silêncio e noutro gesto disse que não percebia.
A Bertra, a loja! É onde?
A jovem chegou ao fim da rua, olhou para trás, vociferou algo como “Bertrand!!!!!!!”
( e é possível que tenha dito em voz alta nem sabem falar...)
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