Rua quase deserta, e
paralelamente à azáfama comercial pro-turistagem, encontramos o silêncio das
ruas esquecidas.
Passam transeuntes, entrando também eles em silêncio consonante com o contexto em que desenham seus passos. Ouve-se ao longe, tão perto, as buzinas, os carros, os sinais de luzes, os semáforos a mudar de cor, os pires das chávenas dos cafés tomados nos cafés de portas abertas para a rua.
Passam transeuntes, entrando também eles em silêncio consonante com o contexto em que desenham seus passos. Ouve-se ao longe, tão perto, as buzinas, os carros, os sinais de luzes, os semáforos a mudar de cor, os pires das chávenas dos cafés tomados nos cafés de portas abertas para a rua.
Uma sirene rompe o
silêncio, uma vida que passa por nós sem nos arrepiar a espinha. Faz parte do
cenário e ninguém encosta. De repente um agente de polícia irrompe do nada.
Está indignado, o homem, grita o homem. ENCOSTE!
Quase doeu aquele
pasmar de autoridade, reprimida, ali com tanta vontade de finalmente ser posta
em prática. Doeu mais saber que foi necessário o homem gritar do fundo do
âmago, a correr no meio da rua, a fazer sinal para encostarem. Mas ninguém ouve
a ambulância e a dor de quem vem lá dentro?
Tudo passa, afinal
encostaram; se pela ambulância, se para o não atropelar, não saberemos.
Segue-se o caminho que as rotinas mudam. Há conversas de rua entre homens novos
e homens velhos, homens de cá e de outros mundos. As rotinas da cidade que se
esplana ao Sol deixam-se languidamente conversar sem pressa. Um cigarro que se
oferece, um piropo que se lança, uma figura que se destaca. Num casaco de
cabedal de um homem que pára na conversa, vivem letras pintadas manualmente e em relevo:
AMOUR ET ANARCHIE. É tudo.
AMOUR ET ANARCHIE. É tudo.
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