Vai carregada hoje,
a nuvem que passa
sem conseguir deslizar.
Hoje,
que o peso é tamanho
e a ânsia nas asas pesa sobre o seu voar.
Vai solta hoje,
a negritude do seu ser.
Flutua.
É alcofada a angústia deste algodão áspero.
Humidifica-se na tentação de ceder.
Retrai-se.
É uma nuvem que passa tão negra.
Que pára, avança e quase corre
ao parar
por que ali não tem por que ficar.
Porque...
Escurece por onde passa
mas logo a luz das outras nuvens leves
lhe tropeça a dança
e lhe frustra a depressão.
É chuva que não cai.
É nuvem que persiste.
Negra, a nuvem.
Pesada, a nuvem que não se vê.
Arrasta-se.
Aqui está ela. Parou.
Tanta água ali presa.
Tamanha dor.
Não chover.
Tamanho ardor.
Não chover.
Tamanha aflição.
Não chover.
É agua que se coloriu de dó.
É cloreto de sódio.
só.
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