O elevador demorou a chegar. Entreolharam-se os utentes na
hesitação da preguiça e da necessidade. Dói
um joelho, coxeia uma perna, a pressa não permite correr pelo corrimão das
escadas cansativas, é mais seguro que atravessar a estrada, lamenta-se a idade.
Entreolham-se as razões e as necessidades e elogia-se o progresso.
Os guinchos dos freios por olear ensurdeceriam os mais sensíveis, não fosse a ânsia de entrar no elevador para o piso de cima. O piso de cima, lá onde se acede à plataforma e de onde se sente a rua, os outros utentes, o barulho, a VIDA! Os utentes esperavam pelo aviso das fluorescentes letras ruidosas mas não pensaram na vida do piso de cima, apenas em chegar à plataforma.
O ruído chegara abrupto, o ruído era a esperança: O elevador tinha sido reparado, não havia avaria, podiam todos subir tranquilos, sem esforço, sem degraus, com direito a porta transparente e um respirar do mundo que os esperaria na plataforma do andar de cima.
O elevador chegou. Entrou o utente um, o utente dois, o utente três. Entraram os utentes em número máximo permitido pelas leis da suposta segurança. Entraram treze utentes entreolhados na espera que a porta se fechasse. O silêncio foi interrompido por uma mensagem automatizada. Os senhores utentes que esperavam do lado de fora deveriam entrar, sim, contra o suposto máximo permitido. Entrou um utente a receio de que a porta se fechasse e o entalasse. Entrou uma utente divertida com a situação. Entraram todos os utentes restantes incrédulos mas submissos.
Apertados, incomodados, questionados mas calados. Entraram todos.
A porta não fechava. Entrariam mais. Chegariam mais. Interrogar-se-iam mais mas todos entraram quando já não cabiam.
Soou de novo a mensagem automatizada. E entraram mais. Sufocados. Torturados, irrespirados. Irrespiráveis.
A porta fechou finalmente. O silêncio era musicado pelos suspiros da surpresa e incredulidade. Os sorrisos forçados pelos esgares do esforço em trânsito para a plataforma do andar de cima. O elevador parou, a porta abriu, ninguém saiu. Um dos utentes conseguira manter a custo um braço no ar e deu sinal ao utente mais próximo da porta para que fosse o primeiro a desbloquear a passagem. Assim, sairiam um a um, descompondo a montagem.
Naquela amálgama de corpos encaixados uns nos outros só se podia ver o movimento de olhares assustados dentro dos músculos retesados. O utente mais próximo da porta tentou aceder ao pedido do utente que a custo mantivera o braço no ar, que sem deliberação própria assim ficou.
Os seus olhares pedintes resumiram-se em condição:
estava(m) paralisado(s).
Entreolham-se as razões e as necessidades e elogia-se o progresso.
Os guinchos dos freios por olear ensurdeceriam os mais sensíveis, não fosse a ânsia de entrar no elevador para o piso de cima. O piso de cima, lá onde se acede à plataforma e de onde se sente a rua, os outros utentes, o barulho, a VIDA! Os utentes esperavam pelo aviso das fluorescentes letras ruidosas mas não pensaram na vida do piso de cima, apenas em chegar à plataforma.
O ruído chegara abrupto, o ruído era a esperança: O elevador tinha sido reparado, não havia avaria, podiam todos subir tranquilos, sem esforço, sem degraus, com direito a porta transparente e um respirar do mundo que os esperaria na plataforma do andar de cima.
O elevador chegou. Entrou o utente um, o utente dois, o utente três. Entraram os utentes em número máximo permitido pelas leis da suposta segurança. Entraram treze utentes entreolhados na espera que a porta se fechasse. O silêncio foi interrompido por uma mensagem automatizada. Os senhores utentes que esperavam do lado de fora deveriam entrar, sim, contra o suposto máximo permitido. Entrou um utente a receio de que a porta se fechasse e o entalasse. Entrou uma utente divertida com a situação. Entraram todos os utentes restantes incrédulos mas submissos.
Apertados, incomodados, questionados mas calados. Entraram todos.
A porta não fechava. Entrariam mais. Chegariam mais. Interrogar-se-iam mais mas todos entraram quando já não cabiam.
Soou de novo a mensagem automatizada. E entraram mais. Sufocados. Torturados, irrespirados. Irrespiráveis.
A porta fechou finalmente. O silêncio era musicado pelos suspiros da surpresa e incredulidade. Os sorrisos forçados pelos esgares do esforço em trânsito para a plataforma do andar de cima. O elevador parou, a porta abriu, ninguém saiu. Um dos utentes conseguira manter a custo um braço no ar e deu sinal ao utente mais próximo da porta para que fosse o primeiro a desbloquear a passagem. Assim, sairiam um a um, descompondo a montagem.
Naquela amálgama de corpos encaixados uns nos outros só se podia ver o movimento de olhares assustados dentro dos músculos retesados. O utente mais próximo da porta tentou aceder ao pedido do utente que a custo mantivera o braço no ar, que sem deliberação própria assim ficou.
Os seus olhares pedintes resumiram-se em condição:
estava(m) paralisado(s).
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