Caminhamos nós, assim, céleres na compaixão da pressa, do ter de ser, do ter de ir, do ter de fazer.
Sem acontecer.
Nas mãos, a lista de compras gatafunhadas.
Sob a sola dos sapatos, a pedra lisa da calçada.
Um deslize!
Um pé torcido na calçada que se mancha de sangue agora sem a pintura da pressa, do ter do ser, do ter de ir, do ter de fazer.
Aconteceu.
Do outro lado da pressa, um casal erguido na amizade pueril que meneia sorrisos.
Caminhavam assim elas, saltando, de mãos dadas, felizes naquela amizade, na dolência da calma, do ter de rir, do não ter que fazer, apenas ser.
Acontecer.
Nas mão de uma, a mão de outra.
Sob a sola dos sapatos, saltos e risos espontâneos.
De repente, deixa de haver celeridade de quem caiu, ou sangue ou dor. A lista de compras tinha voado para debaixo de um acelerado condutor na estrada paralela.
Nada importava agora.
Um momento cénico para a respiração de quem jaz no chão, em dor suspensa.
Duas amigas paravam na rua para abraçar uma árvore.
- Fé na humanidade restaurada?
- Uma cicatriz.
17/02/2017
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