12/11/2020

Pau de carmim

Sem preâmbulo


Canto Primeiro

 - De quantas sequelas se promove esta fita? 
 - Decides tu, público-atriz? Decido eu, ator-público? Desenrolar-se-á a fita pelo exercício da gravidade sobre o rolo que desatamos?
 (Algumas? umas?) As mãos ajeitam o engonço e as marionetas saltam de emoção: é afinal o primeiro sapatear no palco. 

Canto Segundo

 Lábios de pinho.
 Carnudas protuberâncias de pinho castrado à sua raiz, ressuscitado pelo verniz.
 E desta feita, no elenco não se lista o pó de arroz.

Canto Terceiro

 Pincham com ordem, ordenam-lhe as palmas, as suas e as do primeiro balcão.
 Torcem-se as cordas que, apesar da ginga em clique-claque, ainda espartilham os fantoches.

Canto Quarto

 Decidem agora a solo qual a cena que se segue: deixam de ser, ou estar?
 Desengonçadas as marionetas, desespartilhados os fantoches, soltam-se das mãos, e... oh!
 Deixam-se de cantos e capitulam-se em espanto.

Capítulo Quarto e meio

 Oh, suspiro... descobriram-se.
 O pinho esfumou-se em taCto e em pele porosa. 
 O verniz estala e renasce em olor de carmim.

Clímax

E, agora? Que farão com tanta liberdade?

Pleonasmo.
Plim.

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