A cacimba deasfaz-se polvilhada no nevoeiro que trespassa e dela se desprende e com ela dança deixando-a por si pousar.
Os ruídos distantes há décadas que deixaram de ser próximos. A rua envelheceu, saiu, fugiu, não tem procriado. Os ruídos distantes aproximam-se apesar das cantigas da chuva e da luz escondida na lua sebastiânica.
Afinal há ainda vida naquela rua envelhecida, algumas crianças chegam em nova energia despertando o torpor cacimbado da noite. Chegam já tarde numa nova insegurança que antes as desprendia de casa mais tempo. Gritos alegres, gritos de exaustão, gritos de indiferença, gritos de provocação: todos se escutam, todos a cacimba abraça.
Há décadas que não se sentiam as crianças brincar naquela rua, àquela hora, daquela forma.
A cacimba parece ter abrandado, ou pelo menos chegado em mais simpática harmonia e os ruídos vão ficando mais claros e perceptiveis. Já se ouviram aqueles gritos no passado, já se sentiu aquela azáfama, já se ouviram aquelas palavras; tudo é familiar e no entanto ainda não se desvenda.
A cacimba ainda dança no ar cinzento da noite sem estrelas de lua envergonhada quando um novo silêncio chega. A hesitação sente-se. O escuro revela sons agora reconhecíveis:
REBENTA A BOLHA!
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