14/02/2013

Sobre o poder das palavras

Porque chegam respostas até nós que não pensávamos poder chegar.
Porque chegam respostas até nós que não pensávamos poder chegar e porque foram geradas pelas nossas provocações e ou comentários.
E por que essas e esses foram apenas francamente ditas e francamente ditos e por que não se esperavam e por que a humanidade prefere o véu opaco sobre a verdade e porque a verdade dói.
E por que tem de ser mau doer-se?
Porque somos espelhos de nós próprios. Porque somos espelhos de nós próprios uns nos outros, a cada hora; por que quando nos olhamos olhamo-nos a nós mesmos e (a) os próprios.
E por que isso dói e por que há coisas que não se querem ver, como há palavras que não se querem ouvir, não de forma premeditada mas ali: naquele instante. No instante em que reagimos sabemos que há palavras que não queremos ouvir, por que já as omitimos cá dentro, por que sabemos ser verdade.

Já se passaram décadas, mas surgiu assim do nada (nunca é do nada, há sempre um elo em cadeia de pensamentos que nos leva lá, mas porquê naquele momento do nada? por que não noutro instante qualquer de um outro elo qualquer?), surgiu do nada uma lembrança daqueles exercícios da praxe que se pediam nas escolas de 1º, de 2º, de 3º ciclo.

Chegava o valentino dia do correio chegar à sala de aula.

Humilhação para alguns, vaidade para outros, contemplados ou não com uma carta todos tinham de a escrever na aula de Língua Portuguesa.

Para quem gostava de escrever e assumir a entidade de autor não havia melhor tarefa por mais árduo ou embaraçante que fosse o tema, afinal o autor ali podia ser um fingidor amante autorizado.
Foi há décadas que foi escrita.

Foi há décadas que a professora leu as cartas em voz alta (ou teria seleccionado algumas?).

Fez décadas que uma colega chegou ao pé do autor e disse "a tua carta fez-me chorar".

Que será feito dela, a colega que chorou? Só décadas depois surge a percepção da força daquele desabafo, ali na aula, em frente a todos, que fantasmas a assolariam para se aliviar assim naquela ficção?

Assim do nada, o Sol regressa, as pessoas caminham, o ruído ensurdece.

De repente, o ritmo de feira apodera-se da cidade.
Palavras cantadas em jeito brejeiro promovem protestos contra o governo, assim dançável, num falso "kuduru", o protesto (e o estilo de dança) perde(m)  força e torna(m)-se vulgar(es).

Que poder? Que palavra?


Sem comentários:

Farewell, Old Man*

My childhood, boy? I am not sure I have been a child, boy. Have I? Who told you I have? You boy are too smart, you see a boy in me, hein? I ...