Repetem-se os protestos.
Vulgariza- se a luta que agora livre mal se faz ouvir por que caída em orelhas moucas.
As vozes estão cansadas, mas reerguem-se a cada nova data.
Estão cansadas dos protestos repetidos que agora se arroucam.
Estão cansadas das lutas que se mantêm necessárias, estão cansadas das respostas que não chegam, estão cansadas da asfixia que as quer calar, estão caladas mas continuam vivas e acesas.
Estão cansadas da saúde que escasseia, estão cansadas da idade que pesa.
Estão cansadas da bengala que se arrasta.
Estão cansadas mas continuam a caminhar.
Estão cansadas e descem a Avenida.
Estão cansadas mas gritam por mais emprego (ou menos desemprego?).
Estão cansadas e sorriem para a fotografia.
Estão cansadas e gritam por demissões.
Estão cansadas, rotas, roucas, gastas mas ainda descem a Avenida a trambolinar e a gaitafolar.
Mesmo no desespero, só nós para fazermos do desespero uma festa.
15/03/2013
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