Puxaram pelas ideias e vieram as amnésias.
Chegaram alguns caracteres, e esmagaram-se as letras soltas.
Num almofariz de pensamentos vazios, borbulharam parcas ideias, pareciam polvilhadas, soltas como pó de açúcar, como nós, soltos, ou amarrados? e lembraram-se de mais palavras encavalitadas que não chegavam;
Aproximaram-se algumas aos soluços, com medo de se tocarem, mascaradas de acentos e de cedilhas.
Quase engasgadas, retorquiram com apóstrofos quando tentavam apóstrofes, assobiaram uivos de alegre dor. Dor, dor, dor. Uma dor sem acólitos de sensações novas. Uma dor ali, uma dor entre vírgulas, ou tis, ou travessões perfumados. Uma dor crua.
Saíram os primeiros sons, guinchavam agora os músculos a desentorpecer do coma.
De pés despidos, crús, vieram às janelas desenhadas entre pilastras esquecidas.
De pé. Despidos. Livres?
Rejubilaram assim ao descobrir que ainda sabiam gritar!
Angustiaram-se ao reconhecer de imediato: tinham-se esquecido de saber gritar.
05/09/2021
Notas cruas
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